A medida em que vou envelhecendo, vou ficando cada vez mais parecida com quem não deveria. Vou entendendo muitas coisas também.
Por exemplo, hoje, eu sei que estou errada em uma situação, mas hajo como se eu fosse a vítima e tivessem que me pedir desculpas. Vou repetir: eu sei que estou errada. E não é charme. É maldade. É saber que eu não posso exigir determinada coisa dos outros (amor, talvez), mas não adianta, o sentimento de rejeição é algo que ninguém aceita. Como também ninguém aceita ser obrigado. Como eu também não aceito menos, eu quero tudo, e dói tanto pois eu sei que eu nunca vou ter tudo. Aí vem o melodrama "as pessoas não valem nada", "não se pode confiar em ninguém", "o mundo é dos filhos da puta" etc. Agindo como se o mundo tivesse que ser moldado para me satisfazer. E as pessoas têm paciência comigo, sabe, muita, minha mãe então... E o que ela ganha com isso? A minha mágoa por não ter me visitado até hoje. Sendo que há inúmeras razões para ela não ter feito isso, então vou repetir pela terceira vez no parágrafo: eu sei que estou errada. Só não consigo agir como tal. Por que será que isso me lembra tanto alguém?
É estranho a gente ter 26 anos e continuar batendo na mesma tecla, cometendo os mesmos erros de 8 anos, de 17 anos. Parece que a maturidade nunca vem. Ou, quem sabe, é o saber lidar que nunca vem.
Não sei lidar com pessoas.
Talvez por isso não seja tão difícil estar longe. Se eu consigo me machucar estando a quilômetros de distância, imagina se eu estivesse lá vendo tudo isso de perto.
Passo a entender tanta coisa. Da forma como eu não deixo ninguém se aproximar, já que ninguém vai me dar a quantidade de amor que eu preciso, então para quê prosseguir? Tanta dedicação para no fim ver o que sempre esteve tão claro: as pessoas são diferentes de mim. A lealdade que eu dou, não é a lealdade que eu recebo. O amor que eu guardo para dar, ninguém guardou para mim. E vai além da ideia coletiva de dar-sem-esperar-receber, porque já se vão 26 anos esperando e um dia a gente cansa. O erro está em mim, pois ninguém é culpado por não retribuir, se eu fico decepcionada, é algo que somente diz respeito a mim. Mas não. Sigo culpando o mundo, sigo culpando meus pais, sigo culpando toda a gente, por não me darem o amor que eu espero. E não só culpo, como rechaço qualquer indício de aproximação. Renegando o amor, por não me darem o amor. O amor infinito que eu espero. E jamais terei.